Uma homenagem sentida ao cidadão, médico e amigo Luís Borges

Utentes, ex-utentes e seus familiares, colaboradores atuais e antigos da APCC, mas também colegas do homenageado e muitas outras pessoas não quiseram faltar ao tributo prestado pela Associação a Luís Borges e, dessa forma, encheram o Auditório do Conservatório de Música de Coimbra, no passado dia 13 de abril.

Foi, portanto, perante uma sala repleta – em particular, de muita admiração e ainda mais emoção – que o neuropediatra proferiu a Aula Aberta “Plasticidade Neuronal e o Desenvolvimento Cognitivo – Dados Fornecidos pela Observação de Crianças com Enfartes Perinatais”, com a qual se assinalaram os seus 43 anos de dedicação à APCC, na altura em que termina a sua prática clínica na instituição, embora não a ligação àquela que o próprio descreveu como a sua família.

«O grande reforço positivo que fui recebendo ao longo da vida foi o prazer que tive», referiu Luís Borges, para reforçar, já depois de ovacionado por várias vezes: «Para mim foi fácil fazer o que fiz, porque não o fiz sozinho e porque o fiz sempre com prazer». A emoção não lhe permitiu muitas mais palavras, mas para trás ficara já (mais) uma aula que a todos deixou empolgados – «O nosso cérebro é um espanto», afirmou, a certa altura, num entusiasmo que a plateia partilhou – e, sobretudo, uma vida marcada por um enorme contributo para a medicina e, em particular, para a evolução das formas de acompanhamento de crianças com doenças neurológicas e do desenvolvimento, assim como das suas famílias.

Como afirmou Antonino Silvestre, presidente da Direção da APCC, depois de reforçar as qualidades de Luís Borges enquanto médico, neurologista e neuropediatra, bem com a sua importância no desenvolvimento da instituição, ele tem sido «fundamentalmente um cidadão que, através do exercício da medicina, apoiou as famílias de uma forma excecional… a arte mais fina é a das relações humanas e ele sabe desenvolver como ninguém essa competência».

Uma realidade que, caso precisasse de mais evidências, ficou clara nas palavras de Manuel António (do primeiro grupo de crianças da APCC) e Teresa Vendeiro (também acompanhada na instituição há vários anos), que agradeceram a Luís Borges a sua vida de dedicação às pessoas com paralisia cerebral, que «sempre considerou os seus meninos». Nas palavras de Olavo Gonçalves, diretor clínico da Associação, a quem coube apresentar o homenageado, «uma pessoa de contacto sempre fácil, dedicação extrema e uma visão ao longe notável».

Luís de Mello Borges é um dos mais conceituados neuropediatras portugueses, tendo sido um dos pioneiros desta área no nosso país. Foi presidente da Sociedade Portuguesa de Neuropediatria e criou o Centro de Desenvolvimento da Criança (que hoje leva o seu nome) no Hospital Pediátrico de Coimbra. Envolveu-se diretamente no quotidiano da APCC desde a fundação e foi até 2011 diretor clínico do Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral, tendo influência decisiva no seu modelo de intervenção, traduzido numa abordagem interdisciplinar e centrada na família. É atualmente presidente da Assembleia Geral da APCC e presidente da Direção da Associação Nacional de Intervenção Precoce.