A Valentina ‘regressou’ à Quinta da Conraria e levou consigo uma “Estranha História em Círculo”

Depois da estreia perante a comunidade escolar que a viu nascer, a “Estranha História em Círculo” desdobrou o tecido de que é feita, desenrolou as suas linhas e deixou-se ser estranhada na Quinta da Conraria. Aconteceu ontem e, para quem (ainda) não sabe do que estamos a falar, tratou-se da apresentação do exercício final do projeto de intervenção artística “Valentinas”, que juntou, ao longo deste ano letivo, o Sala T (um dos grupos de teatro da APCC) e a Turma D da EB1 de São Bartolomeu.

Utentes, formandos, colaboradores e voluntários da Associação juntaram-se, em duas sessões, para conhecer uma boneca de pano chamada Valentina que, como qualquer um de nós, tem as suas particularidades. Durante um pouco mais de 30 minutos, a história – criada pelos membros do Sala T e pelos alunos de São Bartolomeu – sobre aquela boneca transformou-se na(s) história(s) dos seus protagonistas, que mereceram cada um dos muitos aplausos que receberam no final.

“Estranha História em Círculo” foi, antes de mais, a história de como esses protagonistas se conheceram, se estranharam e aprenderam a olhar-se de igual para igual. Por isso, ‘estranho’ foi uma das palavras-chave deste percurso (porque a estranheza da Valentina é a mesma estranheza que leva a sair da zona de conforto), juntamente com ‘tecido’ (de que é feita a Valentina e que serviu de metáfora para o nosso corpo de cada um) e ‘linha’ (que costura a Valentina como as linhas da vida costuram as histórias pessoais).

E assim, com a coordenação da professora de teatro da APCC Mariana Nunes (encenadora do Sala T e responsável pela criação, conceção e implementação deste projeto) e o apoio imprescindível da professora da EB1 São Bartolomeu Maria José Pereira (que assegurou a mediação, facilitação e apoio à criação), a Valentina viu ser escrito mais um capítulo da sua história, depois de já ter estado fechada numa caixa que se transformava em teatro de marionetas e ter andado por aí a recolher histórias e a procurar novos amigos.

É que o projeto “Valentinas” está a ser desenvolvido pelo grupo de teatro Sala T desde 2017, tendo como mote e convites à reflexão conceitos como a autodeterminação e a autonomia, entre outros. É mais uma iniciativa deste coletivo que, entre outros projetos, já levou à cena três espetáculos: “Manual de Instruções”, “Metamorfose” e “RIMROD”.

O desenvolvimento de atividades ligadas ao campo artístico é uma parte importante da ação da APCC enquanto instituição que fomenta a inclusão social. Além da expressão dramática (com aulas e dois grupos de teatro ativos), os utentes da Associação participam diariamente em ações nas áreas da expressão plástica e expressão musical, tanto internas como externas. Pode saber mais na página do Centro de Atividades Ocupacionais.