O fado veio à Quinta da Conraria e foi recebido com toda a emoção que lhe é devida

Primeiro, fez-se silêncio. Depois, escutou-se com a maior atenção cada palavra cantada e cada nota tocada, com o entusiasmo partilhado por todos a manifestar-se finalmente, em efusivas palmas, ao final de cada canção. Ontem houve Manhã de Fados na Quinta da Conraria e foi mesmo como se a Sala Multiusos se tivesse transformado numa típica casa de fado, com a tradição e os sentimentos a misturarem-se de forma pura e genuína.

Os artistas eram consagrados: as vozes de Manuel Flores e José Lopes, mas também de Tiago Silva (professor de música da APCC), a viola de Francisco Carriço e a guitarra portuguesa de Carlos Antunes. A assistência era ‘da casa’: utentes do CAO – Centro de Atividades Ocupacional e do CAARPD – Centro de Atendimento, Acompanhamento e Reabilitação Social para Pessoas com Deficiência, mas também muitos colaboradores da Associação.

O ambiente foi marcado pela solenidade própria do fado, mas também pela felicidade de poder viver estes momentos, absolutamente emocionantes, numa comunhão forte entre quem estava no ‘palco’ e a assistência. Foi muito mais do que um simples espetáculo, com uma sensação de partilha tão forte, que até a distinção entre artista e público se esbateu completamente e também os utentes Rita Joana, Osvaldo Piçarra e Sérgio Felício puderam cantar. Foi, afinal, uma manhã para recordar.

O CAO e o CAARPD são duas das várias valências da APCC sediadas na Quinta da Conraria. O primeiro é dirigido a pessoas com significativas limitações da atividade e restrições na participação, enquanto o segundo disponibiliza serviços de capacitação e suporte aos utentes e às suas famílias ou cuidadores informais.