Psicomotricidade

Psicomotricidade

O psicomotricista

O psicomotricista é um profissional que trata dos distúrbios do corpo, os quais são caracterizados por manifestações corporais. O psicomotricista parte do princípio de que o corpo age e reage.
A psicomotricidade intervém tendo como ponto de partida a vivência do corpo e a forma como o utente o utiliza para estabelecer uma relação com o outro.

O psicomotricista realiza, em primeiro lugar, um exame psicomotor que vai ajudar a uma descrição pormenorizada. A «Bateria de Avaliações das Funções Neuro-Psicomotora da criança» é um dos instrumentos utilizados para analisar as funções neuromotoras, neurossensoriais e de integração perceptiva a um nível de independência neuromuscular e de coordenação motora da criança. Este instrumento permite, ainda, estabelecer um coeficiente de desenvolvimento.

Os distúrbios podem influenciar, negativamente, as aprendizagens. As suas etiologias são multifactoriais. Podem surgir discretamente, manifestar-se em situações pontuais e assumir a forma de mal-estar ou sofrimento, tanto para a criança, como para o meio social e familiar.

Em que contexto intervém?
Distúrbios do movimento intencional e da coordenação motora
A dispraxia gestual traduz-se em distúrbios da função tónica do gesto devido à patologia, ao atraso da maturação e às interações com o meio ambiente. Os défices gestuais interferem nas actividades da vida diária, na motricidade fina e nos jogos. Caracteriza-se pela existência de gestos lentos e tensos e pela possibilidade de a criança não saber utilizar o seu corpo.

Distúrbios da imagem do corpo
O esquema corporal e a imagem do corpo são essenciais na elaboração de uma representação mental do corpo, a qual se baseia em dados neuro-psicomotores e psíquicos. As alterações da representação mental do corpo são significativas nas condutas patológicas centradas à volta do corpo e podem manifestar-se, por exemplo, em anorexia, tiques, gaguez.
As perturbações relacionadas com o esquema corporal revelam dificuldades em dissociar ou coordenar os membros, sendo que os movimentos apresentam rigidez e dificuldade em relaxar. A criança embate contra tudo.

Distúrbios do tónus muscular
O tónus não é apenas um substrato neurofisiologico que prepara e guia o gesto. Exprime, também, as flutuações afectivo-emocionais. Ele intervém como um critério fundamental na definição da personalidade (estados de nevrose e de ansiedade, psicoses, agressividade, hiperatividade, hiperemotividade…) e pode manifestar-se de várias formas: lentificação psicomotora, hipertonia, distúrbio tónico-emocional.

Distúrbios na relação com o espaço e o tempo
Os distúrbios espácio-temporais são, em grande parte, relacionados com a dificuldade de percepção do espaço; os nistagmus, o estrabismo, a descoordenação visuo-motora que concorrem para travar uma boa apreensão do espaço.
O défice de conhecimento do espaço e do tempo acarreta consequências para a sucessão (memória) ou para o planeamento de tarefas.

Distúrbios da dominância lateral
A distribuição da direita/esquerda é variável. Ela pode ser homogénea ou heterogénea. É possível encontrar uma ambidextria ou uma ambilateralidade (mudança de mão consoante actividade) que pode originar quadros clínicos variáveis. A mais comum é a dislexia, em que a criança tem dificuldades escolares específicas (ao nível da disgrafia, discalculia, dislexia).
As dificuldades da escrita (disgrafia) são frequentes. Estão relacionadas com distúrbios visuoconstructivos e com dificuldades de coordenação motora.

 

PsicoJogo

Uma actuação através do jogo
O quadro psicoterapêutico tenta reunir as condições adequadas para apoiar a criança no seu percurso de tratamento. O «jogo» é um mediador privilegiado, sendo o corpo o centro das preocupações na psicomotricidade e considerando-se as realizações motoras como suporte da relação.
Das técnicas propostas, o jogo é capital para todas crianças. Ele representa aquilo que o trabalho é para o adulto. Não é um simples lazer, mas sim uma atividade totalmente vivênciada. Não é apenas uma agitação, um desgaste motor descoordenado, mas sim uma verdadeira organização de movimentos e de sequências psicomotoras, mentais e comportamentais, que respondem a cenários elaborados.
O jogo, agente de desenvolvimento social, meio de expressão na relação com o outro, permite projetar no mundo exterior os conflitos internos  da criança que lhe provocam sofrimento. Jogar e rejogar é esmiuçar a sua problemática, num prazer partilhado e reencontrar o investimento da experiência do corpo em acção. O prazer inerente ao processo terapêutico é o prazer sensorial devido à acção e o prazer intelectual resultando da elaboração.

A psicomotricidade oferece uma alternativa no tratamento da criança que se inscreve num espaço psicoterapêutico. A prática psicomotora envolve uma formação específica que associa um saber universitário e uma reflexão permanente sobre o seu próprio funcionamento psicomotor.

 

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