Autodeterminação e envolvimento de técnicos, pessoas com paralisia cerebral e famílias são essenciais, defendem especialistas

A importância do envolvimento dos técnicos com as pessoas com paralisia cerebral e as suas famílias na procura das melhores opções para a reabilitação e para a definição de projetos de vida, bem como a necessidade de reforçar a autodeterminação e a educação para a autodeterminação, foram as ideias mais escutadas durante a Conferência Internacional – Paralisia Cerebral, que ontem teve lugar em Coimbra.

Este evento, com que a APCC assinalou os seus 40 anos, juntou alguns dos maiores especialistas nacionais e internacionais da área, como Bernard Dan (multi-laureado neuropediatra), Margareth Mayston (premiada investigadora e terapeuta), Jan Wallander (nome de referência nas áreas da saúde e qualidade de vida de crianças e adolescentes), Inês Balacó (ortopedista) e Ivone Félix (vice-presidente da CERCIOEIRAS).

A moderação dos diversos painéis foi também entregue a várias personalidades de reconhecido mérito, nomeadamente os neuropediatras Luís Borges, Maria da Graça Andrada e Olavo Gonçalves, o ortopedista Deolindo Pessoa e o psicólogo Carlos Carona.

Entre os temas em debate estiveram a neuroplasticidade, a qualidade de vida ou a sexualidade na deficiência, temas que atraíram um elevado número de médicos, educadores, técnicos, pessoas com paralisia cerebral, familiares e cuidadores.

A cerimónia de abertura ficou a cargo de Antonino Silvestre (presidente da APCC), Eulália Calado (presidente da Federação das Associações Portuguesas de Paralisia Cerebral) e Ramiro Miranda (diretor do Centro Distrital de Coimbra da Segurança Social).

Paralelamente, realizou-se também uma exposição de posters científicos, para a divulgação de projetos e iniciativas de natureza científica ou técnica na área da paralisia cerebral, relacionados com as temáticas em discussão. Os autores dos seis melhores posters tiveram ainda a oportunidade de os apresentar num dos painéis da Conferência.

Houve ainda tempo – e muito entusiasmo – para homenagear Luís Borges e Maria da Graça Andrada, pelo percurso de ambos e a sua importância para a forma como a sociedade passou a lidar com a paralisia cerebral, e para cantar os parabéns pelos 40 anos da APCC.

A Conferência Internacional – Paralisia Cerebral, que decorreu no Auditório do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, fez parte do programa das comemorações dos 40 anos da APCC. Neste âmbito, tiveram já lugar, por exemplo, o “Coimbra a Brincar”, o concerto da orquestra de samples Ligados às Máquinas, o Seminário “Inclusão, Educação e Autodeterminação”, a “Caminhada 40 Anos” ou a celebração do Dia Nacional da Paralisia Cerebral.