Três dias, cinco desafios, outras tantas mensagens e uma ideia: todos são capazes

Porque é que, durante três dias, a APCC e o BrainMaze estiveram no Alma Shopping com jogos como adivinhar um código ‘escondido’ numa tricicleta, num quadro e numa cadeira de rodas elétrica ou abrir uma caixa com uma chave a que só se consegue chegar seguindo instruções para a conseguir retirar de um labirinto? Porque todos somos capazes, por vezes até de coisas que achávamos impossíveis.

Foi esta a ideia que esteve na origem da iniciativa “És Capaz?” e que, nos dias 12, 13 e 14 de abril, fez muitas pessoas percorrerem as cinco ‘estações’ de jogo com desafios semelhantes aos que se encontram numa sala de fuga para descobrirem outras tantas mensagens relacionadas com a vida das pessoas com deficiência e os obstáculos particulares com que estas são confrontadas.

A cada jogo correspondia uma frase (todas a partir de dados do relatório “Pessoas com Deficiência em Portugal – Indicadores de Direitos Humanos 2017”, elaborado pelo Observatório da Deficiência e Direitos Humanos do ISCSP), o que foi muitas vezes um motivo para conversa e reflexão. Eram as seguintes as cinco frases em causa:
– A deficiência é o segundo motivo mais apontado para a discriminação em Portugal (65%) e é aquele onde se regista a maior diferença em relação à média da UE (+15%).
– O risco de pobreza e exclusão é experienciado sobretudo em agregados com pessoas com deficiências graves (36,5%).
– As pessoas com deficiência representam menos de 1% do total de trabalhadores em empresas privadas (com mais de 10 funcionários) e apenas 2,3% do total de trabalhadores da administração pública.
– Entre 2011 e 2016, o desemprego desceu 18,8% para a população geral, mas aumentou 26,7% na população com deficiência.
– 99% dos alunos com deficiência frequentam o ensino regular (86% dos quais em estabelecimentos da rede pública), mas o número de horas de apoio terapêutico passou para quase metade a partir do ano letivo 2015/2016.

Além dos visitantes do centro comercial, também diversos utentes e seus familiares se deslocaram àquele espaço para experimentar os jogos disponibilizados, fazendo assim deste igualmente um momento de partilha da própria comunidade da APCC. Quem também ali se deslocou foi o grupo de utentes e profissionais da organização húngara EgyüttHató Egyesület, parceira da Associação no projeto “Here We Are” – no âmbito do qual este evento decorreu – que se encontravam em Coimbra para a terceira reunião transnacional daquele programa.

Esta foi a segunda iniciativa dinamizada, com a coordenação do Gabinete de Voluntariado, pelos quatro utentes da Associação envolvidos em “Here We Are” (André Vitorino, Bernardo Vieira, Diogo Sacramento e Ivo Rodrigues), sempre com o propósito de atingir visibilidade externa através dos Media e/ou da Internet. Assim se pretende concretizar o objetivo daquele projeto de dar visibilidade às pessoas com deficiência, aos seus desejos e necessidades, dentro das comunidades em que se inserem.

O projeto “Here We Are” é coordenado, da parte da APCC, pelo Gabinete de Voluntariado, decorrendo no âmbito do programa europeu Erasmus +, através do qual a instituição desenvolve, entre outros, o projeto “Holding Hands With Other Abilities”, que trouxe já até Coimbra cerca de quatro dezenas de voluntários europeus.